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Por ora só quero abrir mais um livro

Por ora quero entender a história. A história do pensamento, da biologia, da tecnologia, das doutrinas religiosas, do homem! Quero entender como e por que chegamos até aqui, sem omitir as barbaridades que fizemos e as coisas boas que realizamos. Quero entender a evolução dos significados, o regresso dos sentimentos, a continuidade do tempo. Por ora quero entender o passado. Sentir o cheiro do café paulistano do século XVIII, da pólvora recém-estourada pela independência do Brasil. Quero ouvir os gritos dos nativos, as explosões ensurdecedoras das guerras e os jargões de revolução. Quero me sentar com Homero e suas Musas; Platão e suas ideias; Machado de Assis e sua Capitu. Quero me sentar com Shakespeare e chorar; com Descartes e duvidar de tudo; com Da Vinci e vê-lo pintar a Monalisa; com Copérnico e dividir um olhar para o céu; com José Lins do Rego e seu engenho; Galileu e seu telescópio; Kant e sua Metafísica Transcendental. Quero conversar com Schopenhauer sobre o amor. Quero rea...

Trânsito

Já passou tanta gente em minha vida. Pessoas de todos os tipos, rostos, jeitos e particularidades. Algumas vieram, marcaram e passaram; outras permanecem até hoje e estou doido que se vão. Já passou tanta gente com brilhos nos olhos, sorrisos marcantes, abraços calorosos. Não obstante, passou tanta gente chorando também que nem sei quantos lenços eu perdi. Já passou gente amiga e gente que não igual a gente; gente simples, mas tão grande; gente complexa, mas tão pequena. Já passou tanta gente em minha vida que um rosto novo agora para mim tanto faz. Já passou gente que não queria passar e gente que eu fiz questão de passar pela frente. Já passou tanta gente que eu me pergunto: será que não sou eu que apenas passo em frente de toda essa gente? Já passou tanta gente em minha vida e minha vida passou por entre tanta gente.

Procuro a exceção

Procuro aqueles que assim como eu se enquadram na exceção. Aqueles que estão nitidamente deslocados no tempo e no espaço. Procuro aqueles que caminham olhando para o céu e não para o outro; aqueles que estão mais preocupados no agora do que no além. Procura a exceção por que a rotina nunca fez parte dos meus hábitos e habitualmente descosturo os costumes que insistem em se costurar em mim. Procura os que lutam contra sua própria biologia. Aqueles que afastam de si o cálice transbordando de verdade; os que nunca vivem parados em um só lugar. Procuro os gênio, esquisitos, malucos, esquecidos, estranhos, moribundo, misantropos, infelizes, solitários, pois sou completamente estranho e toda a estranheza do mundo me atrai.

Gula

Estou entupindo minha mente com conhecimento, como um morto de fome que se entope de comida em um banquete. Me alimento com tudo sem nem olhar ou cheirar. Não estou me importando com o sabor, o odor ou as posteriores reações do meu organismo. Eu só quero experimentar; saborear os conceitos. Abrir um pacote de doutrinas, engolir suas ideias e esperar até digeri-las. Quero poder escutar o estralar do meu cérebro se dilatando como um ronco de satisfação de um ventre recém-alimentado. Quero morrer me entupindo de conhecimento e que assim seja: se vou morrer, morrerei de cabeça cheia.