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Mostrando postagens de abril, 2014

Infecção existencial

Vivemos tempos de crise. A razão parece se esconder em qualquer lugar com medo de se pronunciar, e o vulgo vai ganhando aos poucos um destaque peculiar. Nunca antes na história tivemos tantos cultos a ignorância e nunca a opinião foi tão valorizada e difundida como verdade do que nos dias atuais. O relativismo parece assombrar qualquer certeza que queira surgir e a Metafísica parece, de fato, ter morrido junto a Deus. A fragmentação principia a nossa destruição intelectual e espiritual. Não procuramos sintetizar mais nada, mas separar. O povo forma uma massa caótica vendada e sem rumo, transformando problemas superficiais em crises existências. Destruímos o modo para construir nossas celas. Criamos coisas inúteis para nos aprisionar. Alimentamos nosso ego com avanços tecnológicos e estamos cada dia mais desnutridos de humanidade. A própria definição de "homem" não condiz mais com o que somos; o homem agora é um deus irracional, mas cada vez mais finito. Tudo parece nos avisa...

Eu só não tenho fé

(1) Claro que não resolvi trilhar o caminho da filosofia repentinamente  –  como o Tales que os tantos manuais insistem em dizer que foi o protagonista de um "milagre grego". Assim como eu acredito que acontecera com ele, se um dia eu abandonei todas as minhas crenças para escolher o caminho que os ocidentais pomposamente se orgulham em chamar de “razão filosófica”, isso só se deve ao fato de me encontrar inserido em um contexto religioso-histórico-social que contribuiu para com isso – principalmente religioso, como pretendo demonstrar. Sempre ponderamos melhor em meios as turbulências e aquilo que outrora parece ser um mal em nossas vidas, subsequentemente acaba por se tornar o percussor daquilo que seremos a partir de então. (2)  Ocasionalmente, quando eu era mais novo, adquiri do destino problemas que me transformaram em um ser humano profundamente decadente e cético. As fantasias que meus antepassados me faziam engolir sobre a criação do mundo e as explicações bíb...

A morte é igual para todos

Herdamos dos gregos essa mania de tachar qualquer cultura exterior a nossa como inferior. Chamamos de selvagens aqueles que não seguem nossos padrões e não compactuam com nossa lógica dedutiva-indutiva analogamente como os helênicos chamavam de bárbaros todos aqueles que não comungavam de seus costumes. Estamos preocupados em delimitar o que nos diferencia, sedentos por uma comprovação da nossa superioridade e temendo que nossas crenças e verdades sejam tão ilusórias quanto os dogmas professados pelo outro. Herdamos essa vontade irreversível de superioridade e exalamos o odor da Aristocracia por onde quer que passemos, como gambás se defendendo de uma ameaça inexistente. Muitas vezes forçamos o outro a admitir que de fato somos melhores na expectativa de que por entre os seus gemidos esqueçamos tudo aquilo que nos limita e nos torne igual a ele. Graças a Deus a morte é democraticamente igual a todos.

Os pés pelas mãos

Tenho amigos que se orgulham de ser filósofos. Alguns deles rezam Platão todas as noites antes de dormir. Outros vivem a pregar Aristóteles pelas ruas. Alguns são crentes nas palavras de santo Agostinho e outros nas de Tomás de Aquino. Muitos só se alimentam da Crítica da Razão Pura, mas alguns são para a morte com Heidegger. Poucos deles fazem oferendas para Espinosa, mas muitos matam e morrem por Marx ou Hegel. Há aqueles que saem vestidos de Nietzsche numa procissão e outros falam através dos jogos linguísticos de Wittgenstein. São muitos os tipos de amigos filósofos que possuo, mas todos sempre têm algo em comum: se orgulham de não serem alienados. Acreditam residir fora da caverna e morrem de rir quando alguém defende um dogma. Se acham tão diferentes dos outros pelo livro que carregam de baixo do braço que quando encontram alguém com a bíblia quase faltam vomitar. Eu tenho muitos amigos assim que acreditam ser filósofos.

Chafariz

Os bons oradores sabem: um discurso apaixonado é a chave da persuasão. Isso repercute inclusive no âmbito docente. Os alunos tendem a gostar mais daquelas disciplinas que são ministradas por aqueles com discursos transbordando de sentimentos positivos. A neutralidade está nas linhas dos livros, mas a paixão deve estar na boca dos verdadeiros professores. Não sei se posso utilizar meu exemplo para construir uma metodologia universal. Não obstante, meu discurso apaixonado anda me ajudando a atrair mentes para uma busca mais perene e sensata por uma verdade fundamentalmente argumentada. Em outras palavras: acredito que minha paixão pela Filosofia anda repercutindo nos meus alunos e consequentemente eles vão se apaixonando por ela também.

Por ora é melhor filosofar

Eu poderia ser um pouco mais ambicioso, quem sabe, e fazer Teologia para tentar pregar aos homens aquilo que meu coração costumeiramente entende por “Verdade Cristã”. Anseio-me por falar a Verdade, abrir a boca e narrar o discurso do Ser enquanto Ser para os homens com a finalidade de que acabem entendendo que Deus é a finalidade última de nossas ações e substrato primordial que segura nosso Ser enquanto existência. Eu poderia ter tal ambição se minha razão não fosse as vezes tão mesquinha e cética. Ela combate de frente meus dogmas e me faz duvidar das verdades que estão costuradas em minha carne. Hoje pondero firmemente entre as crenças antigas do homem e as equiparo ao decorre da sua trajetória histórica. Por que faço isso? bem, não sei. Talvez eu tente achar uma justifica para concordar com minha razão; talvez eu procure desesperadamente um sentido racional da minha existência que seja suficientemente tão bom quanto a Cristã e que minha razão não tenha vergonha de proferir. Enquan...

Máscaras

Por maiores que sejam as dificuldades dos nossos dias, jamais devemos demonstrar nossas fragilidades. As vezes é preciso suportar em silêncio para que nossa alma não se acostume com elas e caia no erro de achar que é frágil sempre. As vezes, se esconder atrás dos sorrisos é a melhor maneira de fazê-los brotar novamente.