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Produtos de Sex Shop

Nosso olhar pós-moderno, atualíssimo, se encontra domesticado pela  pornografia  que, como destaca Byung-Chun Han, desnuda todas as coisas e oferece a imagem do real em sua total transparência, sem ambiguidades, mistérios ou intermeios. Esse olhar tiraniza o erotismo  das relações e torna o ser humano uma carne exposta no mercado, pronta para ser abatida, vendida e consumida. Não há mais distância no contato com o outro, tampouco proximidade. A dialética da presença só se manifesta em quem enxerga a vida de maneira erótica; em quem compreende que a alteridade é o pressuposto das relações sociais; em que defende o silêncio do outro, a ausência do outro, a existência do outro. Nosso olhar pós-moderno nos faz regredir ao estado de natureza hobbesiano, antiquíssimo e antiquado, cujo valor se pauta na guerra, no egoísmo e na negação da vida. Em nossa excesso de positividade, tornamos as pessoas meros objetos sexuais, produtos de sex shop, prontos para satisfazer nossos fetiche...

À imagem e semelhança de Zeus

Os deuses gregos nunca estiveram tão vivos. Eles se tornaram nossos modelos, nossos reflexos, nossos referenciais! De beleza imponente e uma moral duvidosa, eles se multiplicam aos montes sob os holofotes das redes sociais. Harmonia, proporção e simetria em cada nova imagem... a santa trindade dos olimpianos. São nada mais que ídolos vazios; corpos belos com almas deploráveis; estrelas que refletem seu brilho na lama. A casca em que se escondem não passa de um túmulo, no qual o pudor desfalece. Em seu interior, o desejo nunca se satisfaz. Eles se consomem no consumo; uma autodigestão diante de um banquete de ilusões. À imagem e semelhança de Zeus, os deuses gregos continuam caminhando entre os mortais. Sendo perfeitos, mas invejando tudo aquilo que não possuem: felicidade e paz. 

O sentido da vida

Deve-se continuar aprendendo como se não fosse deixar de viver; e continuar vivendo como se fosse capaz aprender tudo.

Truques de mágica

O mais difícil - porém necessário - na velhice é enxergar e admirar a novidade entre a mesmice do cotidiano. Todavia, como se entusiasmar com um troque de mágica que você já sabe como funciona? Como se espantar com o mesmo coelho escondido na cartola? Apesar de já sabermos que mágicas são truques ou que Papai Noel não existe, é a sensação de ser enganado mais uma vez ou receber um presente inesperado que torna esses momentos tão extraordinários. Busquemos, pois, na medida em que vamos envelhecendo, novos truques de mágicas!

O presente de Deus

 O que dizer do futuro para pessoas que ainda vivem o passado? Que experimentem o presente que Deus os deu.

A dialética do tempo

O filósofo experimenta o tempo de maneira dialética: por ser inteiramente consciente do presente, se torna, de vez em quando, atemporal. Ele se aproxima tanto da realidade que é capaz de, em algumas frações de segundos, sair dela. A grande maioria das pessoas é míope do presente e, por isso, são incapazes de discernir o hoje do amanhã.

Em meio aos sofistas

A honestidade intelectual é uma virtude necessária em tempos como o nosso, no qual o relativismo de opiniões determina a tónica da melodia que ressoa a verdade.

Sou vasto

De tempos em tempos meu peito entra em um sono profundo. Deixo de sentir as sensações mais elementares, como o toque das gotas de chuva na pele, o canto majestoso do bem-ti-vi na mangueira, o odor açucarado do jasmim e o carinho amoroso de uma mão deslizando sobre minha face. Fico, por meses, nesse estado de letargia involuntária, largado a indiferença e a apatia; esperando, quem sabe, um acontecimento que seja marcante o suficiente para desfibrilar meu peito; que faça meu coração voltar a pulsar freneticamente; que exija o retorno imediato das minhas lágrimas e dos meus sorrisos.  De tempos em tempos eu sou pura euforia. Me entrego as paixões mais arrebatadoras e potencializo os sentimentos mais elementares. Me lanço dentro do mar, esperando que as ondas fragmentem meu ser; torno-me um verdadeiro glutão e me alimento daquilo que não me sacia, que oferece risco a minha vida, que engorda minha pobre alma. Fico, por meses, nesse estado de devoção involuntária, entregue ao entusiasmo ...