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Mostrando postagens de setembro, 2025

Sou um historiador das ideias

Nunca busquei nos livros um ensinamento que pudesse guiar meus passos. Não reconheço nos filósofos, mestres ou guias espirituais, e não faço da Academia um lugar de devoção ao qual eu possa me entregar para alcançar um sentido último para minha existência. O que busco, na verdade, é entender a mim mesmo com base naquilo em que discordo ou concordo das ideias oferecidas por outrem. Como estou em constante transformação, tenho consciência de que essa busca não tem fim: é um eterno porvir. Dessa consciência nasce também a recusa em oferecer verdades. Prefiro ser lembrado como um historiador das ideias - alguém que reconhece rastros e testemunhos - em vez de um ideólogo ou construtor de sistemas. Pois a filosofia que me resta não é a que edifica, mas a que interroga.

Entre memórias e atos

O peso das consequências faz crer que cada ato sela em nós uma essência definitiva. O passado se acumula, cresce, e nos convence de que a liberdade se perde sob o peso daquilo que já fomos. Mas não somos ruínas do que passou: cada escolha, ainda que irreversível, abre brechas para novas possibilidades de ser. A existência não precede a essência — ela a reinventa, incessantemente, no entrechoque das memórias com os atos.

Se Deus não existisse seria necessário inventá-lo

Minha religiosidade é pragmática: não a sustento por provas, mas por seu valor existencial, psicológico e social. A razão, diante da finitude e das adversidades, mostra-se insuficiente para amparar o sujeito em suas crises, traumas e solidões. Concordo com William James quando afirma que ainda sem provas da existência de Deus, a crença consola e isso, por si, já basta. Por outro lado, para que fique claro, também defendo que a religiosidade não deve ser ter licença para tudo: seus limites precisam ser traçados. A crença não é refúgio para todo infortúnio, mas amparo apenas onde a razão é impotente; só deve ser exercida diante do que não se compreende, diante do que não se explica.

Entre a sociedade e os revolucionários

A sociedade costuma ser muito ingrata com seus revolucionários. Apenas a história tem o papel de redimi-los, consagrando-lhes a imortalidade. Esse contraste revela duas coisas importantes: o conservadorismo é inimigo do futuro; e o vanguardismo é dependente do passado.