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Mostrando postagens de setembro, 2021

Produtos de Sex Shop

Nosso olhar pós-moderno, atualíssimo, se encontra domesticado pela  pornografia  que, como destaca Byung-Chun Han, desnuda todas as coisas e oferece a imagem do real em sua total transparência, sem ambiguidades, mistérios ou intermeios. Esse olhar tiraniza o erotismo  das relações e torna o ser humano uma carne exposta no mercado, pronta para ser abatida, vendida e consumida. Não há mais distância no contato com o outro, tampouco proximidade. A dialética da presença só se manifesta em quem enxerga a vida de maneira erótica; em quem compreende que a alteridade é o pressuposto das relações sociais; em que defende o silêncio do outro, a ausência do outro, a existência do outro. Nosso olhar pós-moderno nos faz regredir ao estado de natureza hobbesiano, antiquíssimo e antiquado, cujo valor se pauta na guerra, no egoísmo e na negação da vida. Em nossa excesso de positividade, tornamos as pessoas meros objetos sexuais, produtos de sex shop, prontos para satisfazer nossos fetiche...

À imagem e semelhança de Zeus

Os deuses gregos nunca estiveram tão vivos. Eles se tornaram nossos modelos, nossos reflexos, nossos referenciais! De beleza imponente e uma moral duvidosa, eles se multiplicam aos montes sob os holofotes das redes sociais. Harmonia, proporção e simetria em cada nova imagem... a santa trindade dos olimpianos. São nada mais que ídolos vazios; corpos belos com almas deploráveis; estrelas que refletem seu brilho na lama. A casca em que se escondem não passa de um túmulo, no qual o pudor desfalece. Em seu interior, o desejo nunca se satisfaz. Eles se consomem no consumo; uma autodigestão diante de um banquete de ilusões. À imagem e semelhança de Zeus, os deuses gregos continuam caminhando entre os mortais. Sendo perfeitos, mas invejando tudo aquilo que não possuem: felicidade e paz.