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Mostrando postagens de agosto, 2019

É fácil refutar Sócrates, difícil é refutar a verdade

Mais do que nunca é tempo de popularizar o conhecimento sobre Lógica Formal e Informal. É mister identificarmos as falácias nos discursos políticos e, em especial, nas ideias dos famosos "gurus do youtube" que disseminam um suposto saber erudito, recheado de premissas tão inválidas quanto incorretas, mas que, dado a falta de educação mínima das massas, são ovacionados e postos como os novos "mestres da verdade". A lista de falácias é longa e cada uma delas é deveras importante, mas destaco apenas duas que vejo sendo repetidas copiosamente: a) Argumentum ad Hominem: a ideia aqui é deixar de lado o argumento do adversário para atacar a pessoa que o criou. Acrescente um sem número de Fake News e você oferecerá ao público mais amplo a ideia de que o argumento do seu adversário é insustentável por ele ter comedido alguns deslizes morais na vida; b) Falácia Tu Quoque: a ideia aqui é invalidar o argumento do adversário apontando como ele faz aquilo que julga que é incorre...

Mais do que simples pardais

Os verdadeiros cristãos precisam ser "cautelosos como serpentes e inofensivos como pombas" (MATEUS, 10, 16). A ideia é equilibrar duas características que, conquanto se mostrem profundamente contrárias, oferecem a segurança e a humildade necessárias para se permanecer como "ovelhas no meio de lobos" (MATEUS, 10, 16). A serpente possui um forte instinto de preservação, mas é incapaz de descenir a quem deve atacar; por outro lado, a pomba carrega o espírito da fraternidade, porém não é capaz de perceber quando sua vida se encontra em ameaça. Assim, o verdadeiro cristão deve ser cauteloso em suas ações, mas amoroso em seus atos. Ele não deve promover acepção de pessoas (ATOS, 10,34), mas precisa estar sempre atento aqueles que querem seu mal. E serão muitos que oferecerão perigo ao cristão, sobretudo aqueles pelos quais Cristo veio (JOÃO, 1, 11). Ora, "se ao senhor da casa apelidaram de Beelzebul, quanto mais difamarão os membros de sua casa" (MATEUS, 10, 25...

Vide e vê

O evangelho de João é aceito, quase com unanimidade pelos estudiosos, como o mais filósofico dentre os demais. É sabido que, no que diz respeito a narrativa, ele foge daquela visão unitária que torna os outros parte de um mesmo enunciado, angariando o título de "evangelhos sinóticos". Todavia, para além do seu aspecto formal, o evangelho de João também apresenta uma grande variedade de conceitos filosóficos que o coloca em diálogo direto com os pensadores da Grécia. Só a título de exemplo, o prólogo se vale de ao menos dois termos importantíssimos na discussão dos filósofos  naturalistas (que ficaram conhecidos como "Pré-Sócraticos"): Arché (princípio) e Lógos (palavra). "No Princípio era a Palavra..." e com essa simples frase João insere o Jesus Cristo na discussão criada por Tales sobre o princípio de todas as coisas. Sendo um evangelho essencialmente filosófico, portanto, cada conceito utilizado, cada estrutura montada para a apresentação do discurso, ...

O pleno cumprimento da Lei

Se Cristo veio para interpretar a Lei dos profetas a fim de auxiliar aqueles que o seguem a encontrar o verdadeiro "Reino de Deus", por que devemos gastar mais energia lendo o Velho Testamento do que o Novo? O Velho Testamento exige um conhecimento prévio (e aprofundado) de história, de política, dos conceitos e das práticas exercidas por essa cultura que, apesar de sermos herdeiros, se encontra a uma distância destácavel de nós, Brasileiros. É mister, portanto, aos cristãos, lerem o Velho Testamento a luz das explicações de Jesus, pois isso nos auxiliará a não cair nos erros de anacronismo ou, o que pode ser ainda pior, silenciar a voz do Messias em detrimento de certas condutas que foram criticadas por Ele. Não quero dizer que devemos deixar de lado o Velho Testamento (o que seria uma completa heresia), mas que gastemos uma energia maior a estudar e a interpretar o Novo Testamento, pois assim teremos os instrumentos necessários (oferecidos pelo próprio Cristo) para compree...