Postagens

Mostrando postagens de 2014

O NOMINALISMO DE ROSCELINO DE COMPIÈGNE: os universais como “flatus vocis”

Tipo:  Artigo Científico. Autores : CRUZ, M, B.; SILVA, C. L. Área(s) de atuação : Filosofia Medieval. Revista : Cadernos do PET de Filosofia, UFPI, 2014. Resumo : o presente trabalho consiste em analisar sistematicamente o nominalismo de Roscelino de Compiègne e suas principais objeções ao problema dos universais que fora profundamente discutido ao decorrer de toda a trajetória histórica da filosofia, mas que ganhou um destaque  sui generis  na Idade Média. Buscaremos, a partir de uma apresentação mais ampla sobre o tema, destacar as concepções do supracitado filósofo frente às demais correntes vigentes em sua época, sublinhando e comentando também as prevalecentes críticas efetuadas por seus principais opositores, a saber, Santo Anselmo e Pedro Abelardo. Palavras-chave : Problema dos Universais. Roscelino de Compiègne. Nominalismo. Link para acesso

Sobre um grupo deformado

Um grupo só está formado quando cada integrante cumprir o mesmo papel que um órgão tem para o corpo. Determinar o que cada integrante se transformará é papel exclusivo das suas próprias ações. Se o indivíduo "r" movimenta o grupo, por exemplo, ele se transformará em suas pernas; se o "a" fala em nome de todos, será a boca. Se o "s" possui as principais ideias será o cérebro e se o "m" dá o pulso da vida, ele será o coração. Mas as vezes, por motivos diversos (seja por puro eventualismo ou até mesmo por vontade própria) um dos componentes pode acabar por se afastar. Quando isso acontece, dependendo de sua função, o corpo acaba se tornando "defeituoso" ou morrendo. No primeiro caso, talvez, até se pode admitir uma substituição, afinal, uma prótese pode fazer com que o corpo ande vagarosamente, mesmo não sendo uma perna de verdade. Já no segundo caso, o problema é mais sério: se removermos o coração ou o cérebro, por exemplo, podemos leva...

A imagem e semelhança de Deus

O homem não é capaz de viver sem leis. Ele precisa de um chicote nas costas para não sair do lugar. A "normalidade" é uma convenção que adotamos para viver, mas se por algum motivo essa convenção se rompe ou a ameaça do chicote desaparece, descobrimos quem somos. O homem não é capaz de viver sem leis. Ele é puro egoísmo e potencialidade para destruição. Seu inconsciente é repleto de desejos terríveis e sua vontade, atrocidades. É um vírus que não se conforta em destruir o corpo onde está hospedado. Ele tem dúvida, amargura, raiva, inveja, ódio, mentira... que outro animal possui tudo isso?! O homem não é capaz de viver sem leis. Tudo no mundo parece seguir uma ordem definida, menos ele. Os animais precisam de um motivo para matar, o homem faz isso para encontrar um motivo. A "normalidade" é uma convenção que adotamos para poder viver a imagem e semelhança de Deus.

Infecção existencial

Vivemos tempos de crise. A razão parece se esconder em qualquer lugar com medo de se pronunciar, e o vulgo vai ganhando aos poucos um destaque peculiar. Nunca antes na história tivemos tantos cultos a ignorância e nunca a opinião foi tão valorizada e difundida como verdade do que nos dias atuais. O relativismo parece assombrar qualquer certeza que queira surgir e a Metafísica parece, de fato, ter morrido junto a Deus. A fragmentação principia a nossa destruição intelectual e espiritual. Não procuramos sintetizar mais nada, mas separar. O povo forma uma massa caótica vendada e sem rumo, transformando problemas superficiais em crises existências. Destruímos o modo para construir nossas celas. Criamos coisas inúteis para nos aprisionar. Alimentamos nosso ego com avanços tecnológicos e estamos cada dia mais desnutridos de humanidade. A própria definição de "homem" não condiz mais com o que somos; o homem agora é um deus irracional, mas cada vez mais finito. Tudo parece nos avisa...

Eu só não tenho fé

(1) Claro que não resolvi trilhar o caminho da filosofia repentinamente  –  como o Tales que os tantos manuais insistem em dizer que foi o protagonista de um "milagre grego". Assim como eu acredito que acontecera com ele, se um dia eu abandonei todas as minhas crenças para escolher o caminho que os ocidentais pomposamente se orgulham em chamar de “razão filosófica”, isso só se deve ao fato de me encontrar inserido em um contexto religioso-histórico-social que contribuiu para com isso – principalmente religioso, como pretendo demonstrar. Sempre ponderamos melhor em meios as turbulências e aquilo que outrora parece ser um mal em nossas vidas, subsequentemente acaba por se tornar o percussor daquilo que seremos a partir de então. (2)  Ocasionalmente, quando eu era mais novo, adquiri do destino problemas que me transformaram em um ser humano profundamente decadente e cético. As fantasias que meus antepassados me faziam engolir sobre a criação do mundo e as explicações bíb...

A morte é igual para todos

Herdamos dos gregos essa mania de tachar qualquer cultura exterior a nossa como inferior. Chamamos de selvagens aqueles que não seguem nossos padrões e não compactuam com nossa lógica dedutiva-indutiva analogamente como os helênicos chamavam de bárbaros todos aqueles que não comungavam de seus costumes. Estamos preocupados em delimitar o que nos diferencia, sedentos por uma comprovação da nossa superioridade e temendo que nossas crenças e verdades sejam tão ilusórias quanto os dogmas professados pelo outro. Herdamos essa vontade irreversível de superioridade e exalamos o odor da Aristocracia por onde quer que passemos, como gambás se defendendo de uma ameaça inexistente. Muitas vezes forçamos o outro a admitir que de fato somos melhores na expectativa de que por entre os seus gemidos esqueçamos tudo aquilo que nos limita e nos torne igual a ele. Graças a Deus a morte é democraticamente igual a todos.

Os pés pelas mãos

Tenho amigos que se orgulham de ser filósofos. Alguns deles rezam Platão todas as noites antes de dormir. Outros vivem a pregar Aristóteles pelas ruas. Alguns são crentes nas palavras de santo Agostinho e outros nas de Tomás de Aquino. Muitos só se alimentam da Crítica da Razão Pura, mas alguns são para a morte com Heidegger. Poucos deles fazem oferendas para Espinosa, mas muitos matam e morrem por Marx ou Hegel. Há aqueles que saem vestidos de Nietzsche numa procissão e outros falam através dos jogos linguísticos de Wittgenstein. São muitos os tipos de amigos filósofos que possuo, mas todos sempre têm algo em comum: se orgulham de não serem alienados. Acreditam residir fora da caverna e morrem de rir quando alguém defende um dogma. Se acham tão diferentes dos outros pelo livro que carregam de baixo do braço que quando encontram alguém com a bíblia quase faltam vomitar. Eu tenho muitos amigos assim que acreditam ser filósofos.

Chafariz

Os bons oradores sabem: um discurso apaixonado é a chave da persuasão. Isso repercute inclusive no âmbito docente. Os alunos tendem a gostar mais daquelas disciplinas que são ministradas por aqueles com discursos transbordando de sentimentos positivos. A neutralidade está nas linhas dos livros, mas a paixão deve estar na boca dos verdadeiros professores. Não sei se posso utilizar meu exemplo para construir uma metodologia universal. Não obstante, meu discurso apaixonado anda me ajudando a atrair mentes para uma busca mais perene e sensata por uma verdade fundamentalmente argumentada. Em outras palavras: acredito que minha paixão pela Filosofia anda repercutindo nos meus alunos e consequentemente eles vão se apaixonando por ela também.

Por ora é melhor filosofar

Eu poderia ser um pouco mais ambicioso, quem sabe, e fazer Teologia para tentar pregar aos homens aquilo que meu coração costumeiramente entende por “Verdade Cristã”. Anseio-me por falar a Verdade, abrir a boca e narrar o discurso do Ser enquanto Ser para os homens com a finalidade de que acabem entendendo que Deus é a finalidade última de nossas ações e substrato primordial que segura nosso Ser enquanto existência. Eu poderia ter tal ambição se minha razão não fosse as vezes tão mesquinha e cética. Ela combate de frente meus dogmas e me faz duvidar das verdades que estão costuradas em minha carne. Hoje pondero firmemente entre as crenças antigas do homem e as equiparo ao decorre da sua trajetória histórica. Por que faço isso? bem, não sei. Talvez eu tente achar uma justifica para concordar com minha razão; talvez eu procure desesperadamente um sentido racional da minha existência que seja suficientemente tão bom quanto a Cristã e que minha razão não tenha vergonha de proferir. Enquan...

Máscaras

Por maiores que sejam as dificuldades dos nossos dias, jamais devemos demonstrar nossas fragilidades. As vezes é preciso suportar em silêncio para que nossa alma não se acostume com elas e caia no erro de achar que é frágil sempre. As vezes, se esconder atrás dos sorrisos é a melhor maneira de fazê-los brotar novamente.

O fim de um paradigma

Quantas vezes como "animais políticos" somos menos políticos do que os animais?