A morte é igual para todos
Herdamos dos gregos essa mania de tachar qualquer cultura exterior a
nossa como inferior. Chamamos de selvagens aqueles que não seguem nossos
padrões e não compactuam com nossa lógica dedutiva-indutiva analogamente como
os helênicos chamavam de bárbaros todos aqueles que não comungavam de seus
costumes. Estamos preocupados em delimitar o que nos diferencia, sedentos por
uma comprovação da nossa superioridade e temendo que nossas crenças e verdades
sejam tão ilusórias quanto os dogmas professados pelo outro. Herdamos essa
vontade irreversível de superioridade e exalamos o odor da Aristocracia por
onde quer que passemos, como gambás se defendendo de uma ameaça inexistente.
Muitas vezes forçamos o outro a admitir que de fato somos melhores na expectativa de que
por entre os seus gemidos esqueçamos tudo aquilo que nos limita e nos torne igual
a ele. Graças a Deus a morte é democraticamente igual a todos.
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