Por ora é melhor filosofar

Eu poderia ser um pouco mais ambicioso, quem sabe, e fazer Teologia para tentar pregar aos homens aquilo que meu coração costumeiramente entende por “Verdade Cristã”. Anseio-me por falar a Verdade, abrir a boca e narrar o discurso do Ser enquanto Ser para os homens com a finalidade de que acabem entendendo que Deus é a finalidade última de nossas ações e substrato primordial que segura nosso Ser enquanto existência. Eu poderia ter tal ambição se minha razão não fosse as vezes tão mesquinha e cética. Ela combate de frente meus dogmas e me faz duvidar das verdades que estão costuradas em minha carne. Hoje pondero firmemente entre as crenças antigas do homem e as equiparo ao decorre da sua trajetória histórica. Por que faço isso? bem, não sei. Talvez eu tente achar uma justifica para concordar com minha razão; talvez eu procure desesperadamente um sentido racional da minha existência que seja suficientemente tão bom quanto a Cristã e que minha razão não tenha vergonha de proferir. Enquanto não a acho, de fato, sinto que estou no caminho certo em estudar as filosofias dos homens e, mais além, ensiná-las para os tantos olhos jovens e curiosos que buscam, assim como eu, uma maneira de interpretar e afirmar suas certezas. Eu poderia ser um pouco mais ambicioso e fazer Teologia, mas a Filosofia parece-me suficiente: um meio termo entre a Verdade e a dúvida. Talvez meu coração esteja desesperado demais em apenas confirmar uma fé que foi aprendida dos meus antepassados ou que minha razão esteja passando dos limites em querer ser cética o tempo todo. Talvez. Por ora é melhor filosofar do que afirmar ou negar.

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