Infecção existencial

Vivemos tempos de crise. A razão parece se esconder em qualquer lugar com medo de se pronunciar, e o vulgo vai ganhando aos poucos um destaque peculiar. Nunca antes na história tivemos tantos cultos a ignorância e nunca a opinião foi tão valorizada e difundida como verdade do que nos dias atuais. O relativismo parece assombrar qualquer certeza que queira surgir e a Metafísica parece, de fato, ter morrido junto a Deus. A fragmentação principia a nossa destruição intelectual e espiritual. Não procuramos sintetizar mais nada, mas separar. O povo forma uma massa caótica vendada e sem rumo, transformando problemas superficiais em crises existências. Destruímos o modo para construir nossas celas. Criamos coisas inúteis para nos aprisionar. Alimentamos nosso ego com avanços tecnológicos e estamos cada dia mais desnutridos de humanidade. A própria definição de "homem" não condiz mais com o que somos; o homem agora é um deus irracional, mas cada vez mais finito. Tudo parece nos avisar, gritar, implorar que vivemos em tempos de crise.

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