Docta ignorantia
Tenho por certo que jamais alcançarei o conhecimento pleno das coisas; e, ainda que me contente com o pouco que me é dado saber, não se extingue em mim a sede de compreender. Essa docta ignorantia é o fardo e a graça de minha condição: sei que ignoro, e por isso mesmo busco sem cessar. Filho de Poros e de Penia, carrego em minha essência a contradição que me ergue e me abate, que me lança ao infinito e me prende à terra. Se muitos veriam nisso um motivo de desespero, encontro, ao contrário, uma secreta alegria: pois é na insuficiência que descubro o meu ser, e na fome insaciável de saber que reconheço a dignidade da minha existência.
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