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Mostrando postagens de maio, 2018

Vivo sem a arte ou resolvo finalmente morrer por ela?

E essa minha veia artística que insiste em pulsar mesmo depois do derrame? Coitada, já anda tão entupida de criatividade que o melhor seria realizar uma cirurgia e desobstruí-la ou removê-la de dentro de mim, a força. É uma escolha que terei que fazer, cedo ou tarde; não dá para postergar mais. Vivo sem a arte ou resolvo finalmente morrer por ela?

Estão jogando com as pessoas

Estão jogando com as pessoas. Políticos, médicos, psicólogos, líderes religiosos, policiais, professores... Eles sempre têm um jeito certo para tudo e quase nunca é o nosso. Somos os delinquentes, doentes, inúteis, ignorantes, de-fi-ci-en-tes. São sempre os adultos, possuem a última palavra em todos os assuntos. Mas em favor de quê fazem isso? Em favor de quem? Quem eles seriam sem nós? Onde estariam os seus poderes sem as nossas "fraquezas"? Eles não são fortes justamente  em função das nossas fraquezas? Somos realmente os fracos? Não. Estamos em um jogo. Eles estão jogando com cada um de nós.

Avanços ou retrocessos?

Os pós-modernos acusam a Metafísica de trabalhar com conceitos vazios. Afirmam quem em tempos como os nossos, de grandes "esclarecimentos", discutir termos que não possuem qualquer referencial objetivo é um verdadeiro retrocesso para a razão. Mas olhem bem as pessoas nas ruas, reparem em seus problemas sociais, econômicos, existenciais. Percebam quantos conflitos elas têm que enfrentar diariamente, de uma fila a outra do banco, de um ônibus lotado a outro mais lotado ainda, do medo da multidão a tristeza de viver sozinho. Vejam quantas crises de ansiedade, quantas noites mal-dormidas, quantas lágrimas de angustia, quanta depressão, quando suicido! A crise em que elas vivem pode ser, de fato, superada por meio dos "esclarecimentos" da razão? Do distanciamento da fé? Do ato de se livrar desses conceitos vazios? E a esperança, por ventura, não será apenas mais um desses conceitos? Metafísicos? Inúteis? 

Cogitare aude!

Os modernos julgaram que, após os quatorze séculos da "idade das trevas", a humanidade poderia finalmente alcançar a maioridade do pensamento. Por querer se ver livres de dogmas e verdades pré-estabelecidas pela igreja, declararam a importância de destruir nossos falsos ídolos e de construir o conhecimento em bases científicas seguras, de caráter indubitável. Incentivaram "ousar saber" ( sapere aude ) sem enfatizar a premência de primeiro "ousar refletir" ( cogitare aude ) sobre aquilo que queremos ou como queremos conhecer. O  ato de conhecer necessita de uma reflexão prévia: para que? Para quem? Para quando? Quem quer também? devemos realmente conhecer? devemos divulgar aquilo que conhecemos? Sem essas perguntas corremos o risco de estabelecermos novos dogmas, novas verdades, novos ídolos. Considero, portanto, como tarefa principal de nosso tempo, voltarmos alguns passos na nossa busca desenfreada por conhecimento; considero que devemos ousar refletir ....

"iconoclastia"

Ser iconoclasta hoje em dia não é mais uma tarefa tão difícil. Existem certos grupos, por exemplo, que o politicamente correto é levado tão a sério que generalizar tornou-se um verdadeiro ato de rebeldia. O uso de aspas se tornou o novo modo de apresentar eruditismo. Permita-se conversar sem elas um só momento e veja o quanto te apontam como transgressor das normas vigentes. Caberia um par de aspas nas palavras que encerraram a frase anterior, mas resolvi encerrar essa reflexão como inimigo do povo.

Em tempos líquidos, saber dizer é mais importante do que saber porquê.

Que seja dito: em textos acadêmicos (para não dizer na própria Ciência), a coerência vale mais do que a conclusão. Isso explica porque aquele projeto sem fundamentação teórica acabou passando na prova de doutorado e o seu não. Em tempos líquidos, saber dizer é mais importante do que saber porquê.

Minha mãe

Quando eu resolvi ser músico, compor e aprender a tocar algum instrumento, minha mãe acreditou em mim. Sem medir esforços comprou um violão, uma guitarra e até mesmo uma bateria. Quando eu resolvi que queria ser poeta e escritor, minha mãe também acreditou em mim. Sem medir esforços se dedicou a ler tudo o que eu escrevia, mesmo sem entender muita coisa. Quando resolvi ser professor de Filosofia e seguir carreira acadêmica (graduação, mestrado e doutorado), minha mãe acreditou mais uma vez em mim. Sem medir esforços fez dívidas no cartão, compro livros e mais livros e mais livros. Quando tentei o Enem para Biblioteconomia, minha mãe novamente acreditou em mim. Sem medir esforços rezou uma centena de vezes para que eu ingressasse em meu segundo curso de graduação na UFPE e fosse tão feliz quanto fui no primeiro. Não teve uma vez em toda minha vida que minha mãe não acreditou e mim   —  mesmo eu escolhendo tantos caminhos estranhos. Não teve uma só vez que ela não tenha largado ...

Eu sou o meu passado

Eu sei que já foi dito, mas vale a pena repetir: valore suas raízes. Aquele que sabe exatamente de onde veio jamais se perderá em seu caminho.