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Mostrando postagens de setembro, 2017

O deus aristótelico

Aristóteles, estrangeiro com residência em Atenas, não acreditava nos deuses da cidade. De linhagem médica e postura cética, o filósofo defendia  que a investigação da natureza era o único caminho possível para entendermos os acontecimentos naturais,  por mais excepcionais que eles possam parecer. Desde pequeno, estranhava as narrativas que lhe contavam sobre os deuses: eram sempre relatos sobre inveja, ódio, paixão, tristeza... havia muito do humano em seres que diziam ser tão poderosos. " Por que um ser que possui tudo ainda pode desejar tanta coisa?" perguntava, mas ninguém lhe respondia. " Além disso", complementava, " se observarmos mais atentamente a natureza poderemos encontrar as causas da geração e da corrupção das coisas; dos seus momentos de repouso e de movimento; dos elementos que compõem tanto os objetos ao nosso redor, como as estrelas e os astros que brilham lá no céu".  Até que um dia, ainda jovem, Aristóteles conheceu Platão e a sua vida...

De grão em grão...

Nunca despreze uma ideia por mais tola que ela seja. As teses mais geniais são sempre construídas a partir de uma linha sucessiva de pensamentos aparentemente insignificantes.

Medalhas

Deixe que os outros apontem as tuas qualidades. Um produto que é elogiado demais por seu vendedor perde completamente o encanto.

Um cão no jardim

Diógenes, o cão, ficou conhecido por sua postura irreverente diante das principais condutas sociais existentes na pólis dos séculos V e IV a.C. Até hoje, no mundo inteiro, estudantes de Filosofia se deleitam com sua franqueza e seu habitual modo sarcástico de tratar aqueles que eram considerados as figuras mais importantes do seu tempo. Conta-se, por exemplo, que certo dia ao caminhar próximo aos jardins das delícias de Epicuro foi convidado por um dos seus discípulos para visita-los. Chegando lá, Diógenes se espantou com o que os seus olhos lhe mostravam: uma dúzia de homens deitados sob uma relva fina e densa, alimentandos por mulheres seminuas que os acariciavam e os beijavam em suas faces. No centro deles, um pequeno banquete se apresentava: frutas, sementes, pães e mel. Ao longe, alguma voz grave recitava uma máxima por entre os acordes de uma harpa: “dentre as coisas que nos acrescenta sabedoria e felicidade, a maior delas é a amizade”. “Sente entre nós!”, gritou um rapazinho d...

O riso de Demócrito

Demócrito de Abdera, o filósofo risonho, foi a Atenas e ninguém teve conhecimento dele. Sempre com um sorriso estampado na cara, zombeteiro, o pai do atomismo desprezava a melancolia e a seriedade que pairava sobre a filosofia do seu tempo. Heráclito, o obscuro, fugiu para as montanhas alegando que só ele era capaz de ouvir o lógos .  Empédocles, entre o amor e o ódio, se atirou em um vulcão esperando ressurgir como uma Fênix para provar a todos que era um deus. Platão, rei entre os filósofos, apresentava entidades transcendentais, imortais e subsistentes, enquanto era vendido como um escravo em outros países. Demócrito olhava para tudo isso e sorria. Gargalhava com a pequenez dos seus companheiros, cegos por uma aristocracia que fez da filosofia um ringue sangrento de luta. Ele caminhou por Atenas durante dias, convivendo com escravos e se alimentando entre os estrangeiros. Enquanto retornava a sua pátria, cansado de tudo que viveu, sorria lembrando de algo que há muito um amigo...

Filosofia como peça de bijuteria

Os "filósofos" da mídia não passam de peças de bijuteria: se apresentam como joias caras e refinadas, mas não passam de bronze e latão.

Círculos dentro de círculos

O ato de conceituar é paradoxal: propõe esclarecimentos, mas promove rótulos.

Viseira para cavalos

Tal como uma Fênix que insiste em renascer de suas cinzas, o conceito de "verdade" torna a ressurgir em tempos de crise (e a partir da própria crise). Sempre tão atual e sempre tão antigo.

Os Mitos nunca morrem

O cientificismo não morreu após as duas grandes guerras. Ele só passou a viver no subúrbio.

Ser e Não-Ser: eis uma solução

Ontologia e Poder sempre estiveram muito interligados. O discurso sobre o Ser, desde Parmênides, determina o que pode e o que não pode ser dito. "Somente o Ser é", afirma ele, e outras tantas possibilidades são esquecidas (ou silenciadas).

Entre Ser e Não-Ser

Não nos chamem de "pós-modernos" enquanto a massa cinzenta entre o 0 e o 1 também não for apontada como solução.

Como cheguei até aqui?

Quando o assunto são palavras, um desvio na rota é inevitável. Todo escritor é um andarilho que se perdeu várias e várias vezes em um simples trajeto de volta a casa.