O riso de Demócrito

Demócrito de Abdera, o filósofo risonho, foi a Atenas e ninguém teve conhecimento dele. Sempre com um sorriso estampado na cara, zombeteiro, o pai do atomismo desprezava a melancolia e a seriedade que pairava sobre a filosofia do seu tempo. Heráclito, o obscuro, fugiu para as montanhas alegando que só ele era capaz de ouvir o lógosEmpédocles, entre o amor e o ódio, se atirou em um vulcão esperando ressurgir como uma Fênix para provar a todos que era um deus. Platão, rei entre os filósofos, apresentava entidades transcendentais, imortais e subsistentes, enquanto era vendido como um escravo em outros países. Demócrito olhava para tudo isso e sorria. Gargalhava com a pequenez dos seus companheiros, cegos por uma aristocracia que fez da filosofia um ringue sangrento de luta. Ele caminhou por Atenas durante dias, convivendo com escravos e se alimentando entre os estrangeiros. Enquanto retornava a sua pátria, cansado de tudo que viveu, sorria lembrando de algo que há muito um amigo havia lhe contado: a natureza é composta de pequenas partículas indivisíveis.

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