Os pés pelas mãos
Tenho amigos que se orgulham de ser filósofos. Alguns deles rezam
Platão todas as noites antes de dormir. Outros vivem a pregar Aristóteles pelas
ruas. Alguns são crentes nas palavras de santo Agostinho e outros nas de Tomás
de Aquino. Muitos só se alimentam da Crítica da Razão Pura, mas alguns são para
a morte com Heidegger. Poucos deles fazem oferendas para Espinosa, mas muitos
matam e morrem por Marx ou Hegel. Há aqueles que saem vestidos de Nietzsche
numa procissão e outros falam através dos jogos linguísticos de Wittgenstein.
São muitos os tipos de amigos filósofos que possuo, mas todos sempre têm algo
em comum: se orgulham de não serem alienados. Acreditam residir fora da caverna
e morrem de rir quando alguém defende um dogma. Se acham tão diferentes dos
outros pelo livro que carregam de baixo do braço que quando encontram alguém
com a bíblia quase faltam vomitar. Eu tenho muitos amigos assim que acreditam
ser filósofos.
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