Metamorfose

A passagem de uma etapa a outra de nossa vida nunca é passada despercebida. Nunca é calmaria. A calmaria é repouso, a passagem é movimento. O movimento é, sobretudo, mudança e mudar exige certa desestabilização. Exige que arranquemos algumas raízes profundamente cravadas em um asfalto de cotidianos. Que cortemos, então, o aparente laço seguro que o hábito costurou entre nós e a sanidade. Sentimos o momento chegar sob as rédeas da angustia e, na maioria das vezes, rejeitamos. Não queremos passar ao outro lado, independente do que nos espera do lado de lá. Tomamos o desconhecido como sinônimo de inseguro e nos perguntamos por que é que deveríamos trocar o que é certo pelo o que é duvidoso. Por que é somente fazendo essa passagem que podemos progredir. No progresso não existe calmaria, não se iluda. A calmaria é repouso, progresso é movimento. O movimento é, sobretudo, mudança e mudar nunca é passar despercebido pela vida.

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