A arte como religião

Defendo a arte como religião. Como religare. Como mediação. Como retorno. Mas retorno de quê? O que, afinal, se perdeu? E quem perdeu o quê? O homem perdeu algo. Ele se perdeu. Deixou algo para trás. Mas foi Deus? A arte tem haver com Deus ou Deus é que mata a arte? Se sim ao segundo caso, o que foi que o homem deixou para trás? A sua própria 'humanidade'? 'Humanidade' não é só um conceito vazio? E a arte trabalha com conceitos? A arte trabalha com sensação. A arte religa o homem a uma sensação. Uma experiência? Uma vivência há muito perdida? Defendo a arte como religião. Religare dos sentimentos esquecidos, silenciados, destruídos. Mas quem destruiu os nossos sentimentos? Foi Deus ou nós mesmos? Destruímos com o quê? Com as nossas próprias mãos? Com a nossa razão? Com a Filosofia? Com a Ciência? Com os conceitos? Destruímos algo em nós com os conceitos? Mas se a arte é um retorno ao que destruímos, esse algo não pode ter sido destruído. Foi esquecido. Foi silenciado. Defendo a arte como a religião dos sentimentos esquecidos. Como religare. Como mediação. Como retorno. Como lembrança. Como voz.

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