A queda de Ícaro
A idade me trouxe uma certeza angustiante: eu não nasci para ser eterno. Não serei capaz de produzir nada de realmente memorável e extraordinário, seja filosófico, científico ou artístico. Não deixarei legado algum para além das poucas lembranças que ainda irão habitar na cabeça de meia dúzia de pessoas. A teomania que um dia me deu asas para alcançar voos tão altos, me fez também desabar em queda livre nos confins da terra. Tal como Narciso, me afoguei contemplando meu próprio reflexo idealizado nas águas turvas e lamacentas da vida. Voltei a ser só poeira na imensidão do espaço; barro que um dia foi animado com um sopro divino. Tudo, na verdade, não passou de uma brincadeira de Deus - ele é comediante, afinal. Uma ilusão que eu mesmo criei para fugir do fato de que sou finito, medíocre e superficial.
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