Muro de arrimo
Eu vejo a cidade se transformar e apagar minhas melhores lembranças. Os lugares que antes guardavam marcas do meu passado estão sendo soterrados por novas vivências — e um pouco de mim vai morrendo a cada dia.
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Onde antes havia um beijo, agora há apenas um banco de concreto. O que antes era um amontoado de sorrisos, agora é um muro de arrimo. Cada mudança exige um pedaço da minha alma, como se o futuro da humanidade dependesse do fato de eu deixar de existir.
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Aprendi que só é possível habitar o futuro esquecendo o passado; que o amanhã nasce das cinzas do hoje. E, como não consigo esquecer, vou sendo apagado a cada verso. A saudade não é suficiente para me manter vivo — paradoxalmente, é tudo que tenho para me manter são.
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