Estrangeiro em mim mesmo

Em busca dos meus sonhos, desaprendi a sonhar. Acordei em uma segunda qualquer, mais no passado do que futuro, e então percebi que já não conseguia mais envelhecer; que estava completamente paralisado diante do fato de ainda ser o mesmo.

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Em busca do amor, desaprendi a amar. Diante da paixão que tanto idealizei, senti-me vazio. Sem borboletas, calafrios ou queimores. Apenas o silêncio das palavras e uma troca de olhares angustiada, de quem deseja mais fugir do que permanecer.

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Em busca de Deus, desaprendi a ter fé. Procurei respostas em templos, livros e promessas, mas encontrei apenas o eco das minhas próprias dúvidas. E, pela primeira vez, compreendi que a ausência de milagres não era o que mais me assustava - era o fato de já não saber como rezar.

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Em busca de ser, desaprendi a viver. Na ânsia de contemplar a eternidade, esqueci a minha temporalidade. Flutuei tempo o suficiente para esquecer de como se pisa ao chão. Agora estou perdido no espaço: estrangeiro em mim mesmo; incapaz de retornar à simplicidade das coisas que um dia me mantiveram vivo.

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