Café ao meio dia

Houve um tempo em que um café ao meio-dia, antes de uma aula sobre Foucault, era sinônimo de felicidade. Você ao meu lado, rindo das minhas idiossincrasias, entusiasmada com qualquer novo conceito que eu pudesse te ensinar. Seu olhar era de reconhecimento, como se, apesar das nossas diferenças, fossemos um só, partilhando um turbilhão de sentimentos e sonhos.

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O tempo, é claro, passou. Antes da distância entre nossos corpos, a admiração se tornou desapontamento. Eu fui me transformando em cinzas, deixando um rastro de cor a cada passo. Tu, ao contrário, tornaste uma aquarela, viva e colorida. Minhas peculiaridades se tornaram enfadonhas; já tuas mesmices passaram a ser milagres. Viraste meu único desejo e eu me tornei teu maior desencanto.

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Fico imaginado o que seria se eu tivesse me tornado um só contigo. Quantos cafés iríamos ter que tomar até concluirmos que nos amamos? As minhas aulas já não são mais tão incríveis sem teu olhar para me contemplar. Talvez o tempo seja capaz de nos ensinar que nem todo encontro é destino. Alguns são apenas lições que ficam nas entrelinhas da memória.

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