Invisível, mas tão presente
Considero Walt Whitman como um dos mais destacados poetas da humanidade. Seus textos são repletos daquela características que suponho indispensável na arte: a capacidade de nos religar ao nosso próprio ser - animalesco, instintivo e carnal. Sua voz resguarda um timbre religioso, consumido quase que integralmente em meio aos ruídos da plutocracia que impera diante de nós. Ele é um poeta do porvir e as bem fornidas prateleiras das bibliotecas ainda não são capazes de suportar a leveza da sua relva. A alma erudita se mostra insensível a umidade dos seus versos tão escorregadios. A sua musa transita entre nós, maltrapilha e abandonada; ela se embriaga junto aos corpos rejeitados e esquecidos pela multidão. Seu canto exorta a planta que agora cresce em minha janela, mas despreza qualquer princípio metafísico que queira se assumir como condição indispensável para tamanha beleza. Seu grito instiga guerra, o pólemos de onde tudo tem origem e no qual tudo tem seu fim. Ninguém foi mais longe sem tirar os pés da grama. Ninguém se tornou mais imortal sem abandonar as chagas do seu corpo. Ninguém cantou mais a vida sem abandonar a morte.
Comentários
Postar um comentário