Todo mundo tem um vira-lata
Perninha foi o sonho de um menino crescido, recém egresso do Ensino Médio e que não sabia muito bem como lidar com a nova vida de adulto que agora tomava o lugar da sua adolescência. Perninha esteve comigo durante quase doze anos, me viu se tornar professor e pesquisador; acompanhou a minha história com Jhoicy desde os nossos primeiros dias; partilhou os dias difíceis de dissertação, no qual eu não tinha lugar para escrever, apenas o teto da garagem sobre a cabeça e seu pêlo macio sob meus pés. Perninha tinha uma pinta em suas costas: um floco de neve em meio a um mar de pêlos escuros como a noite. Foi São Bernardo quando precisava ser e vira-lata a maior parte do tempo. Eu carregava suas lembranças e seu nome por onde quer que eu andasse; e a marca do seu canino na palma da minha mão persistirá por muito tempo depois quando ele se for. Ele chegou medindo alguns centímetros e acabou ocupando um espaço dentro de mim muito maior do que eu poderia esperar. Perninha não foi apenas um cão, mas um amigo: conversávamos sobre tudo e ele sempre me respondia com um silêncio reconfortante de quem sempre estaria ali, disposto a me ouvir. O seu nome veio de um erro e se tornou o maior acerto que eu tive na vida. Perninha estará para sempre comigo até o dia em que voltarmos a brincar lá no céu.

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