Francis Bacon e o quinto ídolo

Faltou em Francis Bacon a humildade de analisar sua própria vida por meio da filosofia que pregava. Ele também, como a maior parte de nós, estava profundamente preso aos ídolos e isso custou caro ao progresso do seu pensamento. Por querer se distanciar demais dos gregos (e, em particular, do Platonismo) deixou de perceber a importância da Matemática no estudo da natureza. Francis Bacon poderia ter antecipado Galileu e até mesmo Newton se tivesse deixado de lado toda a arrogância e o desejo de ser diferente, único. No fim, ele também acabou reduzindo o complexo ao mais simples; viu todas as coisas sob determinada luz muito particular (a qual estava acostumado); foi governado pelas palavras e, o que é mais sério, construiu sua própria peça teatral e a tornou sua moradia. Existe, portanto, um quinto ídolo: o ídolo do gênio. Aqueles que se consideram sujeitos excepcionais (com pensamentos excepcionais) acabam perdendo a oportunidade de aprender com os outros e serem verdadeiramente grandes.

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