Eu te felicito e rogo teu perdão

Tu, jovem, que agora experimentas o sol fora da caverna, eu te felicito e rogo teu perdão. Eles te expulsarão sempre que quiseres voltar. Tudo o que te sobrou, portanto, foi o lado de cá. E aqui não existem cidades, grupos sociais, amigos. Todos somos nômades, orgulhosos, dispersos, cada qual com sua própria idiossincrasia. Descobrirás que um dia é, na verdade, manhã, tarde e noite. Que terás que conviver também com as tempestades e que faz muito frio fora da caverna. Com o tempo perceberás que mesmo o sol, com todo seu esplendor, não é suficiente para te esquentar e que, na verdade, era o fogo da caverna que fazia isso. Justamente aquele fogo que te iludia, que era artificial; aquele criado pelos homens. Eu te felicito e rogo teu perdão por isso. Talvez saberás mais do que antes, mas certamente serás mais infeliz.


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