Partilho, em larga medida, as características do Lobo da Estepe, tal como descrito por Hermann Hesse. Sua natureza híbrida, anfíbia, dual, que transita entre dois pólos contrastantes e que gera consequências devastadoras e divinas para si e para o mundo se projetam sobre mim, como um reflexo literário da minha própria existência. Contudo, há um aspecto, em especial, que me distancio completamente: sou diurno, um matuto na raiz do termo, e amo as manhãs ensolaradas. E isso me faz ainda mais triste que os demais lobos, que vagam apenas durante noite e têm a escuridão para os proteger. Ser uma monstruosidade sob à luz do dia, aos olhos de todos, é ainda mais arriscado e penoso. Deve ser por isso que passei a maior parte da minha vida como uma presa e quase nunca como caçador.
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