A importância da analogia para o professor de Filosofia no Ensino Médio

A analogia é um recurso linguístico imprescindível para aqueles que querem explicar conceitos filosóficos. Ainda mais se o seu público são alunos do Ensino Médio que quase não tiveram contato algum com a filosofia durante toda a sua vida. Como ninguém é uma lousa em branco e todos os dias a vida encontra um jeito novo de nos oferecer experiências ainda inéditas, cabe ao professor retomar tais vivências e relacioná-las com os conceitos filosóficos. Recentemente, por exemplo, para explicar o que Sócrates e Platão entendiam por DIALOGAR, recorri ao ato de brincar em uma gangorra. Para que haja diversão é necessário que as duas crianças estejam dispostas a ceder o momento da subida, criando um acordo em prol de um objetivo em comum. Nesse sentido, as crianças só podem brincar de gangorra com seus amigos ou aqueles que estejam, de fato, dispostos a manter o acordo até o fim da brincadeira. O mesmo acontece com o diálogo. DIALOGAR nada tem a ver com DISCUTIR. O diálogo pressupõe sempre duas pessoas que manifestam um comum acordo em prol de um mesmo objetivo: encontrar um consenso acerca de um tema debatido. Mas para que o diálogo aconteça é necessário que os dois participantes estejam dispostos a abrir mão de momentos de fala para que o outro também comunique a sua opinião. Com essa simples analogia, algo aparentemente bem complexo e filosófico tornou-se inteligível e os alunos do Ensino Médio passaram a entender uma ação fundamental do ser humano: o ato de dialogar. Ainda mais: passaram a entender o que Sócrates e Platão tanto prezavam e qual era a diferença substancial entre eles e outros do seu tempo (sobretudo os sofistas) que estavam mais preocupados em discutir, isto é, fazer prevalecer uma opinião sobre outra  independente de sua veracidade.

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