Aprendi com Platão a deixá-lo
Sempre defendi que a filosofia proposta por Platão era centrada no "caminho", nunca na "chegada". Isso significa que longe de ser aquele filósofo criador de sistemas, rigoroso e dogmático (que o neoplatonismo grego e cristão ensinou a história), ele é, na verdade, um pensador cético, que não tem problema em repensar suas teses, caso elas se apresentem aporéticas. E não poderia ser diferente: foi, sem dúvida, o maior discípulo de Sócrates e, como tal, sabia mais do que qualquer outro que "uma vida sem busca não é digna de ser vivida". O erro da maioria se encontra na leitura isolada de alguns dos seus diálogos (sobretudo aqueles escritos em sua maturidade), sem perceber o próprio movimento dialético presente em todo o corpus de sua obra, desde a juventude até a sua velhice. Platão não tinha medo de errar: sempre foi ele o maior crítico de si mesmo. Isso porque o homem, enquanto vida (junção da alma com o corpo) jamais será um ser completo e por mais que tente, nunca alcançará o pleno conhecimento de todas as coisas. O que lhe resta, portanto, é apenas a capacidade de ser um "amante da sabedoria", isto é, um filósofo. E isso já é muita coisa, acredite. Viver em uma busca constante, sabendo que jamais (ou ao menos enquanto estiver vivo) alcançará aquilo que tanto buscou não é para qualquer um. É desestimulante. É cansativo. É enfadonho. Por isso é que tanta gente não deseja mudar. Prefere permanecer com suas verdades até o fim de suas vidas, mesmo que elas já não lhes satisfaçam tanto quanto antes. Mas não eu. Eu levei Platão muito a sério para permanecer com ele até o fim. Está na hora de abandoná-lo, de realizar uma auto-crítica em meus pensamentos, de sair da caverna, de ir por novos caminhos sem medo de me perder nas matas densas e emaranhadas do desconhecido. E assim como o filósofo que tanto admiro, não tarei problema algum em regressar um dia, caso perceba que isso seja realmente necessário.
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