Lembranças e cimento
Certo dia, uma professora e pesquisadora do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco (a qual eu estimo muito) me perguntou qual era a minha pretensão em seu grupo de pesquisa que tratava essencialmente de temas relacionados a Humanidades Digitais. Expliquei que quando eu era mais novo e meu pai me convidava a ajudá-lo com os ofícios de pedreiro, nunca pude contribuir da maneira que gostaria, por conta da minha notável inabilidade com serviços práticos. Todavia, havia algo que sempre me chamou a atenção em serviços como aquele: o modo como era preparado as massas de cimento. Eu sempre me impressionei com o fato de que a mistura de certos componentes poderia formar uma substância que viria a ser principal responsável pelo sustento de toda uma estrutura. E foi no que eu ajudei: jamais na linha de frente da construção, apenas lá trás, no preparo das massas. Respondi, portanto, que assim como naqueles tempos de infância, o que eu pretendia contribuir para com o grupo era justamente na busca e na mistura dos elementos que auxiliariam a preparar uma substância capaz de sustentar toda as nossas discussões em torno da temática. É o que venho fazendo desde sempre: com meu pai, com a música, com a poesia, com a filosofia e com a ciência.
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